Trump e a crise da representatividade

Olá meus queridos do MundoEdu!

Na última sexta-feira tomou posse o 45º presidente dos Estados Unidos (e primeiro presidente laranja do país – ahhaha piadinha “tipo Giba”), Donald Trump.

Trump nunca escondeu seu discurso. Nacionalista, indo na contramão da globalização; crítico da presença latina nos EUA, que tem mais de 55 milhões entre a população dos Estados Unidos; anti-islâmico, mesmo que o país tenha uma população muçulmana que pode chegar a 10 milhões; machista, dizendo em um de seus livros que todas as mulheres são oportunistas (querem o dinheiro dos homens).

O que isso quer dizer sobre o nosso mundo conectado?

Trump em seu discurso de posse em Washington.
Trump em seu discurso de posse em Washington.

Com todo discurso de Trump, foi que sua vitória eleitoral em 2016 se tornou assustadora. Cientistas políticos, analistas, jornalistas, todos se perguntavam: como Trump venceu as eleições?

Primeiro que Hillary Clinton teve mais votos no somatório total do que Donald Trump; Hillary teve mais de 300 mil votos à frente de seu oponente. Mas nos EUA as eleições funcionam de maneira indireta, por Colégios Eleitorais. É uma conta longa e uma explicação técnica, mas resumindo: Donald Trump conseguiu 290 colégios eleitorais quando precisaria de 270 para ser presidente. E venceu.

Mas a ideia desse texto não é repercutir como foram as eleições, mas falar sobre o que tem acontecido nos últimos dias nos EUA e mundo: muita gente não aceita a vitória de Trump, daí vamos ver protestos em todas as partes, em especial nas grandes cidades dos EUA.

São milhões de pessoas que não se sentem representadas pelo presidente e vão as ruas protestar, mostrar posição contrária, dizer que não concordam com o discurso de ódio proferido pelo recém empossado presidente.

Black blocs protestam em Washington antes da posse de Trump.

Black blocs protestam em Washington antes da posse de Trump.
Black Blocs protestam em Washington antes da posse de Trump.

Milhares de pessoas foram às ruas antes, durante e depois da posse de Trump. Mais de 30 mil agentes de segurança foram espalhados pela capital dos EUA e mais de 200 foram presos por vandalismo nesse dia.
Criticas ao racismo, ao machismo, à xenofobia e homofobia foram as mais destacadas nos protestos enquanto Trump repetia seu jargão de campanha “vamos fazer a América grande novamente” e prometia devolver o poder ao povo (dizendo, nas entrelinhas, que antes o poder ficava na cúpula de Washington, conforme defende Donald).

No sábado, 21 de janeiro, estima-se que 2,5 milhões de mulheres e apoiadores foram às ruas na Marcha das Mulheres contra Trump. Washington, Nova Iorque, Miami e cidades do mundo todo como Paris, Londres e Buenos Aires protestaram contra o discurso de Trump.

Em Washington foram mais de 500 mil manifestantes no sábado. 
Em Washington foram mais de 500 mil manifestantes no sábado.

Personalidades como Scarlett Johansson, Madonna e Michel Moore fizeram discursos inflamados contra o presidente e pediram tolerância e aceitação.

Como você pode ver, Michel Moore, famoso cineasta crítico de vários governos dos EUA, esteve na marcha, que não era só de mulheres, mas dos apoiadores da causa das mulheres. Juntaram-se aos protestos homossexuais, muçulmanos, negros, latinos e tantos outros discriminados por Donald Trump.

Scarlett Johansson discursando na Marcha das Mulheres.
Scarlett Johansson discursando na Marcha das Mulheres.

 

Madonna, num agressivo discurso ao presidente.
Madonna, num agressivo discurso ao presidente.

A crise da democracia representativa.

O que tem acontecido nos EUA nos últimos tempos é o que já se viu na Europa, no Brasil e em diversos países: grandes parcelas da população não concordam com os seus governantes, não se sentem representados por eles, nas suas ações e discursos. Por exemplo: é improvável que você se sinta representado por algum político que tenha sido comprovadamente envolvido com desvio de dinheiro público.

Lá na antiguidade os gregos criaram a democracia, mas iam diretamente à ágora, a praça central, para votarem leis e mudanças; hoje nos temos a democracia indireta representativa, ou seja, não estamos diretamente no poder, mas delegamos ele aos nossos representantes (que na verdade nem sempre nos representam em práticas e ideais).

Talvez no passado as pessoas não conseguissem se organizar pela falta de comunicações (imagine antes da internet você telefonar pra 500 mil pessoas para ir num protesto), mas agora – principalmente depois de 2011, a “Primavera Árabe” – as redes sociais e a internet nos facilitam pra organizar a luta, seja ela qual for, em especial contra os governos.

Em 2011, enquanto o Twitter servia de elo entre os manifestantes do mundo árabe, jovens espanhóis protestavam em frente ao parlamentos do país com brados de “não me representa”. Em 2013, os jovens do Brasil começaram uma luta contra o aumento de 20 centavos nas passagens de ônibus, depois isso virou um grande movimento contra a corrupção e governantes que não nos representam.
Trump esta sofrendo isso.

Os EUA estão vivendo a época da revolução 2.0, organizada pela web contra aquilo que a multidão acredita não ser o correto.

E, senhor Trump (façam meu texto chegar até ele, please): se o senhor quer inferiorizar mulheres, gays, negros, latinos, muçulmanos, deficientes físicos e outros grupos, o senhor também não me representa. Passar bem.
P.S.: vejam o discurso contra as mulheres de Trump em seu livro, The Art of the Comeback, onde ele classifica as mulheres, falando da hora que assinam acordos pré-nupciais: “Existem basicamente três tipos de mulheres e reações. Uma é a mulher boa que ama muito seu futuro marido, mas se recusa a assinar o acordo. Eu totalmente entendo isso, mas o homem deve pensar em qualquer maneira para encontrar outra pessoa. A outra é a mulher interesseira, que se recusa a assinar o acordo pré-nupcial porque ela está esperando para aproveitar-se do pobre desavisado idiota que ela tem ao seu alcance. Há também a mulher que vai abertamente e rapidamente assinar o acordo pré-nupcial para conseguir seu objetivo: rapidamente e pegar o dinheiro dado a ela”.

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Abraços e até a próxima.

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