Operação Carne Fraca: o que eu estou comendo?

Operação Carne Fraca: Colaborador trabalhando em frigorífico.

Alô, galerinha do MundoEdu! Com as notícias da Operação Carne Fraca, em que a Polícia Federal investigou o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura em esquemas de corrupção e venda de carne fora dos padrões, todo mundo começou a se perguntar:

O que são todas essas coisas no rótulo dos alimentos? O que faz mal? O que dá pra comer?

O que é que estão colocando no meu prato?

Primeiro é importante lembrar que quase tudo o que a gente come é processado de alguma forma. Você encontra vários tipos de aditivos nos alimentos, usados para as mais diversas funções. Eu tinha um professor na universidade que falava que uma embalagem de refresco em pó dava uma aula de bioquímica.

A impressão que dá é que tudo causa câncer, mas na verdade a coisa não é bem assim. Vários aditivos são bem inocentes se usados na quantidade correta.

Os jornais saíram falando aos quatro ventos que a carne dos frigoríficos é contaminada por ácidos que serviriam pra mascarar a putrefação, e a galera foi à loucura. Primeiro, porque a palavra “ácidos” traz a ideia de uma coisa ruim, corrosiva, daqueles filmes malignos dos anos 80.

Jovem, já parou pra pensar que refrigerante é ácido? Que suco é ácido? Que você tem ácido no estômago naturalmente? Ninguém vai colocar ácido de bateria na comida (até porque ia ser BEM evidente que tem alguma coisa errada)!

Ácido é qualquer coisa com pH menor que 7.

Simples assim.

E eles são usados na indústria alimentícia o tempo todo. Sabe quando você compra no fim do mês um refresco em pó daqueles beeem toscos, beeeem baratinhos, que não tem gosto de nada? Daqueles que você enche de açúcar e eles continuam com gosto “aguado”? Aquilo é falta de acidulantes.

Pode pegar qualquer alimento industrializado. Quase todos vão ter algum acidulante (quase sempre o ácido cítrico, que faz parte do ciclo de Krebs). Assim como o doce e o salgado, o ácido (azedo) é um dos componentes do gosto dos alimentos. Os acidulantes são uma espécie de “tempero”.

Os dois ácidos mais citados nas reportagens, o ácido sórbico e o ácido ascórbico, também estão presentes na maior parte dos alimentos industrializados. O ácido sórbico (que você encontra como sorbato de potássio) é um conservante contra fungos e o ácido ascórbico é a famosa vitamina C, usada como antioxidante (a gordura oxidada é o que dá um jeito “rançoso” nos alimentos).

Apesar de serem inofensivos nas quantidades permitidas, os aditivos alimentares geralmente são sais de sódio. Assim, o consumo de sódio na sociedade é maior do que a gente costuma imaginar. Isso leva a doenças no rim e à hipertensão arterial (pressão alta).

Por outro lado, o consumo de carne está relacionado ao aumento na chance de ter até 7 tipos diferentes de câncer por conta de substâncias que são formadas durante o cozimento.

Ou seja, se o churrasco tá dando câncer, o problema não tá na vitamina C. E os vegetarianos não estão a salvo: o Brasil é um dos países que mais utilizam agrotóxicos (os tais “defensivos agrícolas”). Em 2011, o brasileiro foi exposto a 4,5 litros de agrotóxicos por habitante. Isso inclui algumas substâncias proibidas na União Europeia e nos Estados Unidos. Vale lembrar que o gado de corte é alimentado com soja produzida com esses agrotóxicos, que podem sofrer bioacumulação no animal.

Com tanto veneno temperando a carne e a salada, o que é que sobra?

Uma saída possível é o consumo de alimentos orgânicos.

Eles são definidos como “alimentos in natura ou processados, oriundos de sistema no qual se adotam técnicas que buscam a oferta de alimentos livres de contaminantes intencionais. Os alimentos in natura respeitam e protegem o meio ambiente. Visam à sustentabilidade ecológica e à maximização dos benefícios sociais e econômicos”.

Isso quer dizer que eles são livres dos agrotóxicos e de aditivos alimentares.

O problema é que eles custam mais e podem ter uma produtividade menor do que os alimentos cultivados com veneno. Mas no longo prazo, o preço que se paga pela saúde e pelo meio ambiente fazem o orgânico valer a pena.

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