O lado “primo pobre” da seleção natural

Bom dia galerinha!

Que a seleção natural foi proposta por Darwin, isso muita gente já ouviu falar.

Mas será que ele foi o único que chegou a essa conclusão?

Darwin era de uma tradicional família britânica de classe alta. Chegou a cursar Medicina, como seu pai e seu avô, mas largou os estudos porque não gostava de sangue e preferia estudar invertebrados marinhos. Seu pai então mandou ele ser pastor anglicano, que era a alternativa “respeitável” para um inglês rico da época. Não que Darwin precisasse trabalhar: ele tinha tanto dinheiro que não precisaria fazer mais nada pro resto da vida.

Ele gostava MESMO do trabalho e dos estudos!

Charles Darwin com 21 anos
Charles Darwin com 21 anos

E assim, do mesmo que hoje em dia a gente conhece gente rica por ser rica (que nem a Paris Hilton, por exemplo), todos conheciam o respeitável Darwin, principalmente as “pessoas importantes”. Cheio de dinheiro e reconhecimento, era fácil pra Darwin se dedicar aos estudos sem se preocupar com nada (se o Betover quiser fazer algum comentário, essa é a hora!).

Claro, Charles Darwin era genial e não tem nada que tire dele o mérito disso. Não tô aqui pra tacar pedra nele, nem um pouco. Eu tô aqui pra falar de outro cara, menos conhecido. Um camarada chamado Alfred Russel Wallace.

Wallace, ao contrário de Darwin, era mais “gente como a gente”.

14 anos mais novo que Darwin, Wallace não teve um suporte socioeconômico como o de Charles. Alfred estudou dos 5 aos 14 anos, quando teve de parar por dificuldades financeiras e foi trabalhar com topografia. Eventualmente, conseguiu um emprego de professor de desenho, matemática e topografia numa escola.

Wallace adorava a natureza e era bastante curioso. Ele leu tudo o que podia sobre os exploradores e naturalistas de até então. Um dia, sem dinheiro nem nada, resolveu fazer ele mesmo uma expedição com seu amigo Henry Bates (que mais tarde iria descobrir o mimetismo). Em 1847 eles partiram para Belém do Pará pra coletar insetos e outros organismos da Amazônia.

 

Dr. Alfred Russel Wallace
Dr. Alfred Russel Wallace

Após passar um período de volta à Inglaterra, Wallace viajou novamente, desta vez para a Malásia. O cara era tão hardcore que coletou 126 mil espécimes lá, a maior parte de besouros. Quando voltou de vez pra Inglaterra, ele escreveu vários trabalhos, especialmente sobre a distribuição dos organismos no planeta.

Até que um dia ele mandou pro Darwin uma carta contando sobre uma teoria que ele tinha a respeito da evolução dos seres vivos. Wallace tinha chegado às mesmas conclusões que ele! Darwin nunca tinha publicado suas ideias sobre a seleção natural porque isso ia contra a Igreja e os “bons costumes”, mas perder o crédito pro Wallace era demais pra ele. Se publicasse sozinho, ia ficar com fama de plagiador. Se não publicasse, ia sofrer calado.

Eles entraram num acordo e apresentaram em conjunto, ao mesmo tempo, a ideia da seleção natural como se tivessem chegado juntos àquela conclusão.

Wallace continuou pobre, com dificuldades de arrumar emprego, conseguindo sobreviver com uma pensão paga pelo governo (tipo um Bolsa Evolução) que o Darwin conseguiu pra ele.

E hoje em dia (e naquela época também) quase só se ouvia falar do Darwin, nunca do Wallace. Aliás, até o livro do Wallace se chama Darwinismo!

Agora eu deixo com você: será que hoje em dia, com as redes sociais e o acesso a informação, a fama e o status social ainda têm o mesmo peso que no século XIX?

Aproveita e faz uma redação aí sobre isso, pra ir praticando!

 

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